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POR QUE É IMPORTANTE FALAR DE DEPRESSÃO?

Jun 24, 2022 5:36:00 PM Raquel Moura da Conceição – CRP 11/13589 3 min de leitura

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Raquel Moura da Conceição CRP 11/13589

Falar sobre depressão é algo urgente e necessário, pois o Brasil é o país da América Latina com o maior número de pessoas depressivas, conforme os dados da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). Já segundo a OMS, os casos de depressão aumentaram 18% nos últimos dez anos, sendo um dos maiores transtornos mentais incapacitantes do mundo.

A depressão trata-se de um transtorno de humor, que, por mais comum que seja entre as pessoas, é muito sério, pois afeta diretamente a vida social, emocional e laboral de quem é acometido com ela. É uma condição multidimensional, que tem como causa múltiplos fatores, tais como: genética, condições ambientais, psicológicas, sociais e espirituais. Há também indícios de uma prevalência maior em mulheres.

A depressão é comumente associada a uma classe de transtornos depressivos, como: transtorno depressivo maior, transtorno depressivo persistente, ou transtorno depressivo específico ou inespecífico.

Porém, apesar do que se imagina, o diagnóstico da depressão exige uma avaliação multiprofissional criteriosa, sobretudo de profissionais especializados em Saúde Mental, como psicólogos e psiquiatras.

Esse transtorno configura-se como uma tristeza persistente e grave, classificada como humor deprimido, que interfere no funcionamento do indivíduo, provocando uma diminuição de interesse e perda de prazer das atividades de vida diária. É diferente das flutuações usuais de humor do dia a dia, já que é uma condição mais permanente e profunda. E diferencia-se da tristeza, visto que esta é uma emoção básica que está presente no cotidiano de todas as pessoas e provém de uma situação frustrante, como perda de emprego, término de relacionamento, dentre outros. Normalmente, a pessoa consegue se readaptar e retorna suas atividades.

A depressão, por sua vez, afeta negativamente toda a vida da pessoa, interferindo na sua forma de sentir, pensar e agir. Seus principais sintomas são: humor deprimido, perda de prazer/interesse em atividades anteriormente apreciadas, alterações no apetite, insônia ou hipersonia, perda de energia, fadiga, baixa autoestima, dificuldade para tomar decisões, sentimento de culpa, baixa libido e até pensamentos relacionados com a morte e suicídio (em casos graves). Todos esses sintomas podem variar de leve a graves, a depender da intensidade e frequência.

Vale ressaltar que condições orgânicas ou médicas também podem desencadear essas reações, assim como deficiência de vitaminas, problemas na tireoide, tumores cerebrais ou doenças crônicas, por exemplo. Os transtornos depressivos podem ser desenvolvidos em qualquer etapa da vida, mas ocorrem com maior frequência na adolescência e vida adulta.

Além da tristeza, é importante saber diferenciar a depressão do luto, pois ambas as experiências podem conter os mesmos sinais e sintomas. A diferença é que, no processo de luto, as manifestações emocionais de tristeza também vêm acompanhada de pensamentos positivos sobre a pessoa falecida; na depressão, o humor deprimido geralmente está presente mesmo após semanas ou meses.

Quando a pessoa possui depressão e sobrevém o luto, pode haver um sofrimento intenso, gerando uma fragilidade emocional e falta de recursos psíquicos para lidar. Ou então, a morte de um ente querido também pode ocasionar um estado depressivo. Essas condições requerem uma avaliação atenta, pois são experiências únicas e individuais.

Há fatores de risco que podem predispor o aparecimento da depressão. São eles: personalidade, aspectos sociais (desemprego, situação de pobreza, negligência, situações de violência), transtornos psiquiátricos associados (como os transtornos alimentares, ansiedade), doenças crônicas como a fibromialgia, vícios (álcool e cigarro), abuso de substâncias, traumas, separações conjugais, excesso de peso, sedentarismo e dieta desregradas, dentre outros.

O diagnóstico e tratamento da depressão exige muita cautela para evitar uma hiper medicalização e intervenções inadequadas. Geralmente, após a diagnóstico da depressão, é interessante que a pessoa seja acompanhada por um psiquiatra e psicólogo, além de realizar um acompanhamento médico para tratar outras condições que podem estar associadas.

A avaliação psiquiátrica permite uma condução baseada em medicações e/ou intervenções psicossociais, juntamente como acompanhamento psicológico, a fim de ofertar um tratamento adequado para a pessoa acometida com depressão.

A automedicação não pode ser realizada, visto que os antidepressivos e as outras classes de psicofármacos exigem prescrição médica e avaliação adequada, devido aos possíveis efeitos colaterais.

A psicoterapia, enquanto um tratamento através da fala e de uma relação de ajuda baseada em teorias e técnicas, também é eficaz nos casos de depressão. Há várias abordagens psicológicas que possuem um olhar diferenciado para esse tipo de transtorno e que pode favorecer o enfrentamento dessa condição. Algumas abordagens interessantes para lidar com a depressão na psicoterapia são a Psicanálise, Humanismo, Teorias Comportamentais, Teoria Cognitivo Comportamental, entre outras.

Além de intervenções especializadas em Saúde Mental, a pessoa com depressão necessita também de um bom suporte social, cultivo de relações saudáveis, adotar um estilo de vida mais saudável (mudança de hábitos alimentares, prática de exercícios físicos e padrões de sono, por exemplo), além de buscar aprender e aprimorar outras habilidades e hobbies que sejam significativos para ela.

Veja que, como disse, a depressão é uma condição grave, e que deve ser tratada com atenção e compromisso, mas nunca ser associada a “preguiça”, “falta de Deus” ou “só uma tristeza”. É necessário que haja sempre discussões sobre essa temática e ações voltadas para a promoção de saúde mental e bem-estar.

Raquel Moura da Conceição – CRP 11/13589

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